Ícones da capital baiana são ilustrados pelo traço realista do desenhista
Marcello Quintanilha no livro Cidades Ilustradas – Salvador, um presente da
Esso em homenagem a cidade
(10 de agosto de 2005) - Depois de ter sido retratada por artistas plásticos,
poetas, fotógrafos e pintores renomados, Salvador é radiografada pelo traço
realista do desenhista niteroiense radicado em Barcelona, Marcello
Quintanilha, um dos expoentes da arte no país. O artista capturou
peculiaridades e o colorido de alguns dos ícones da cidade, como o Elevador
Lacerda, Coqueiro da Piedade, Cantina da Lua, Terreiro de Jesus, Pelourinho,
Praça Cayru, Retiro, Feira de São Joaquim, Alagados, Estádio Manoel Barradas,
Abaeté, Itapuã, entre outros.
As ilustrações estão presentes no livro Cidades Ilustradas – Salvador, que
será lançado pela Esso Brasileira de Petróleo e pela Casa 21, no dia 15 de
agosto, às 18h30, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM). A noite de
autógrafos marca também o início da exposição das ilustrações que ficará
aberta ao público no período de 16 a 19 de agosto. O evento de lançamento do
livro, exclusivo para convidados, contará com a presença do presidente da
Esso, Carlos Noack, do diretor de Assuntos Externos, Eduardo Lopes, da
vice-presidente de Finanças, Andy MacDonald, do ministro da Cultura, Gilberto
Gil, do governador do Estado e prefeito de Salvador, além de autoridades
locais, formadores de opinião, imprensa e profissionais da área cultural.
Cidades Ilustradas – Salvador é um presente da Esso em homenagem à cidade. A
série de livros tem como proposta convidar desenhistas nacionais e
estrangeiros para retratar cidades brasileiras. A publicação sobre Salvador é
o quarto lançamento do projeto. A obra tem 80 páginas e conta com 30
ilustrações em folha dupla, formato inovador em relação às edições anteriores
publicadas em outras capitais brasileiras. Cada ilustração apresenta um
layout diferente e vem acompanhada de um pequeno texto escrito pelo
autor.
Para compor estas crônicas, Marcello Quintanilha conversou com diversas
pessoas, entre elas, figuras emblemáticas da história cultural de Salvador,
como é o caso de Clarindo Silva, dono do bar Cantina da Lua, no Pelourinho. “A
entrevista com Clarindo foi absolutamente maravilhosa. Além dele, o
especialista em Capoeira, Fred Abreu, e o historiador Cid Teixeira me deram o
maior respaldo técnico para composição desse trabalho”, afirma o quadrinista.
Outro destaque da obra é o prefácio, escrito especialmente pelo poeta e
antropólogo Antonio Risério.
Duas semanas de imersão
Marcello Quintanilha aceitou de imediato o convite feito pela editora Casa 21
para assinar as ilustrações sobre Salvador, pois seu trabalho tem uma ligação
muito forte com o Brasil pela sua história e seu povo. “Salvador é uma cidade
que representa o berço da nossa cultura”, explica.
Para desenhar as pranchas que compõem o livro, Quintanilha passou duas semanas
visitando lugares históricos, casarões, ruas e avenidas para respirar a
baianidade que exala em cada esquina da capital baiana. “Foram 15 dias
corridos. Fomos em vários lugares e o primeiro a ser definido para o livro foi
Santo Antonio Além do Carmo”, lembra.
Durante as visitas, Quintanilha tirou fotos dos locais e aproveitou para
conversar com pessoas sobre assuntos diversos. Todos os “causos e histórias”
foram gravados em fitas, que o artista levou consigo até Barcelona, onde mora
há três anos, para servir de embasamento na composição das imagens. O trabalho
levou um ano para ficar pronto. “Salvador é uma cidade absolutamente peculiar.
Muitas coisas me chamaram atenção. Acho que 30 pranchas é muito pouco. Teria
que haver uma série de livros só sobre a cidade”, diz Marcello, que esteve
pela primeira vez na capital baiana.
Para ele, o resultado do trabalho foi impecável. “Queria tanto fazer esse
livro que cada coisa que desenhei, cada pedra portuguesa que ilustrei pareceu
única. Adorei fazer cada traço e acho que o trabalho ficou diferente do que
foi a coleção Cidades Ilustradas até agora”, conta.
O autor
Marcello Eduardo Mouco Quintanilha, 33 anos, nasceu em Niterói, no Rio de
Janeiro. Ainda jovem, iniciou a carreira de ilustrador como autodidata e logo
se especializou na linguagem dos quadrinhos. Desde a década de 90 vem
conquistando fãs com seus primeiros trabalhos publicados nas revistas
General, Nervos de Aço e Metal Pesado. Em 1999, lançou seu primeiro
livro, Fealdade de Fabiano Gorila, um dos primeiros títulos de
quadrinhos da Conrad, com prefácio de Aldir Blanc. Desde 2000 Quintanilha
publica suas histórias em quadrinhos na revista Heavy Metal
americana.
Ao longo de quase 20 anos de carreira, o quadrinista já arrebatou prêmios nas
Bienais de Quadrinhos do Rio de Janeiro, de 1991 e 1993, e já assinou
ilustrações para diversas revistas, como Trip, TPM, Bravo, República, Vip,
Sabor, e outras. Ilustrou a capa da biografia do sambista Martinho da Vila,
para a editora Record; e um encarte de um CD do grupo Planet Hemp. Marcello
também trabalhou com animação e assinou desenhos nos quais fez uma releitura
de Asterix e Obelix, para um dossiê sobre a Associação de Livre Comércio das
Américas (Alca), publicado na revista República.
Há três anos morando em Barcelona, na Espanha, Marcello atualmente se dedica a
série Sept Balles pour Oxford (Sete Balas para Oxford)
escrita pelo argentino Jorge Zentner, e que está sendo lançada pela editora
Lombard em vários países de língua francesa.
Esso e Casa 21, uma grande parceria
A parceria entre a Esso Brasileira de Petróleo e a editora Casa 21 vem desde
2001. A publicação dos livros que integram a série Cidades Ilustradas tem o
propósito de descrever a cidade e fazer uma releitura dos ícones que a compõem
a partir do olhar de um artista de fora. “A gente sempre acaba aprendendo
alguma coisa sobre a cidade que nós achávamos que já conhecíamos tudo”,
acredita Roberto Ribeiro, diretor da Casa 21.
Para Eduardo Lopes, diretor de assuntos externos da Esso, apoiar o projeto é
uma grande contribuição para a valorização da cultura local e os livros
poderão servir de material didático nas escolas, além de serem distribuídos em
bibliotecas públicas. “Estamos muito felizes em apoiar esse projeto
incentivado pela Lei Rouanet. Acredito que estes livros ajudam os jovens a
aprender mais sobre a cultura de sua cidade de uma forma mais interessante”,
diz Eduardo Lopes.
Com a publicação de Cidades Ilustradas – Salvador, a Esso e a Casa 21
pretendem mostrar o colorido característico do projeto urbanístico da cidade,
assim como a forma única de expressão do efusivo povo baiano. “Essa
responsabilidade de retratar Salvador fez com que levássemos dois anos para
concretizar esse projeto. Essa cidade é, sem dúvida, a raiz da cultura
brasileira e as pessoas ficarão muito surpresas com o trabalho feito por
Marcello Quintanilha”, aponta Ribeiro, da Casa 21.
Cidades Ilustradas
O projeto Cidades Ilustradas teve início em 2001 com a publicação do livro com
ilustrações da cidade do Rio de Janeiro, feitas pelo desenhista francês Jano.
O lançamento da obra aconteceu simultaneamente no Brasil e na França. A visita
de Jano ao Rio foi registrada pela produtora carioca Hy Brazil Filmes, que
produziu o documentário longa-metragem Rio de Jano.
Em dezembro de 2003 foi a vez de Belo Horizonte ser retratada pelos traços
marcantes do desenhista, ilustrador e autor de desenhos animados, o espanhol
Miguelanxo Prado, um dos mais importantes artistas da Europa. O último
lançamento do projeto aconteceu em 2004, na cidade de Curitiba. O desenhista
carioca Cesar Lobo retratou locais ícones da cidade como o Passeio Público, as
estações-tubo, entre outros pontos da capital paranaense.
Além do lançamento da obra em Salvador, o projeto prevê para os próximos meses
a publicação dos livros sobre as cidades de Belém, com o desenhista francês
Jean-Claude Denis, e as cidades históricas mineiras. Cidades do Ouro retratará
as cidades de Ouro Preto, Congonhas, São João Del Rei, Tiradentes e Diamantina
pelos traços do ilustrador Marcelo Lelis.
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